Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Você sabe o que é Biomimética?

Quando se fala em biodiversidade, além, é claro, das importantes inter-relações ecológicas de milhões de espécies de plantas e animais, seu uso costuma estar mais relacionado ao enorme potencial de descobertas de substâncias biodinâmicas capazes de curar nossas doenças. No entanto, existe uma ciência pouco conhecida que tem estreita ligação com a biodiversidade: a biomimética.

A biomimética é uma área da ciência que estuda a Natureza buscando identificar estruturas biológicas funcionais e eficientes que possam ser utilizadas como matriz de conhecimento aplicável para soluções tecnológicas em nosso benefício. E, nesse sentido, quanto maior for a biodiversidade maiores serão as possibilidades de termos soluções de biomimética trabalhando a nosso favor.

 

 

Ainda que a biomimética seja uma ciência relativamente nova, seu conceito __ ter as estratégias da Natureza como fonte de inspiração para resolver problemas do ser humano __ já era aplicado desde os filósofos gregos. A faca serrilhada foi uma apropriação similar ao dente de tubarão. No Renascimento, Leonardo Da Vinci foi um grande empregador da biomimética em seus inventos.

Um exemplo bem conhecido de aplicação da biomimética é o velcro. Ele foi criado pelo engenheiro George de Mestral, em 1941, após perceber que as sementes da planta do gênero arctium ficavam grudadas na sua roupa e no pelo de seu cachorro durante suas caminhadas pelos Alpes Suíços. Ao ver a semente através de um microscópio, constatou que ela era dotada de filamentos entrelaçados e com pequenos ganchos nas pontas. Assim, ele desenvolveu um processo que funcionava da mesma maneira.

A observação dos cupinzeiros, que conseguem manter sua temperatura interna constante, independentemente da temperatura externa, foi a grande fonte de inspiração para a diminuição no consumo de energia com o ar-condicionado em grandes edifícios comerciais.

Os primeiros trem-bala japoneses, conhecidos como Shinkansen, criados em 1964, atingiam velocidades de até 210 km/h, porém apresentavam um grande problema ao passar pelos tuneis: o forte estrondo provocado pelo deslocamento do ar. Com a incontestável ajuda da biomimética, houve a reformulação do clássico nariz de bala, tendo o bico do martim pescador como inspiração, por seu poder de penetração na água sem deslocar uma gota sequer, a imitação do design das penas das corujas, por seu voo silencioso, e a cópia do desenho funcional do formato da barriga dos pinguins para evitar turbulência. Com isso, o trem-bala passou a atender o limite tolerável de decibéis, diminuiu seu consumo e aumentou sua velocidade. Hoje os comboios Shinkansen viajam regularmente a velocidades de até 300 km/h.

Temos, assim, uma conclusão interessante: na medida em que milhares de espécies, conhecidas ou desconhecidas da ciência, têm potencial de possuir inúmeras possibilidades de soluções para os nossos problemas de design, arquitetura, engenharia, medicina, transporte e diversas outras áreas, a biomimética passa a ser mais um bom motivo para a conservação da natureza.

 

 

 

Sobre Marcelo Szpilman

Marcelo Szpilman, biólogo marinho, é autor de oito livros publicados, sendo cinco nas áreas de peixes, tubarões e outros seres marinhos. É o idealizador, fundador e presidente de honra do AquaRio e diretor-presidente do Instituto de Conservação Marinha.

Uma resposta

  1. Surpreende a cada momento a importância da natureza na vida individual e principalmente coletiva do ser humano!… excelente artigo, Szpilman!… obrigado…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Talvez você também curta: