Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Ursos polares extintos pelas mudanças climáticas

Termômetros batendo 50 graus na Austrália, Argentina e Brasil; recordes de inundações na Europa e de frio e tornados nos Estados Unidos; sinais mais do que perceptíveis e inequívocos das mudanças climáticas que atingem nosso planeta.

Fora os efeitos graves que a humanidade já enfrenta, há um sério problema que poucos se dão conta: essas mudanças climáticas estão chegando tão rápido que a maioria das espécies não têm condições de se adaptar a elas e correm o risco de sua completa extinção. O urso polar é uma dessas espécies, vítima do aquecimento global e das consequentes alterações físicas em seu habitat.

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão das Nações Unidas, publicado no final de 2013, fez um grave alerta: até 2040, a camada congelada na superfície do Oceano Ártico deverá desaparecer totalmente durante a primavera e o verão. Em julho de 2020, o periódico Nature Climate Change publicou um estudo indicando que os ursos polares poderão ser extintos até 2100 devido ao aquecimento global. Importante explicar essa relação de causa e efeito.

A progressiva falta das banquisas de gelo, camada congelada na superfície do Oceano Ártico, provocada pelo aquecimento do planeta, além de favorecer novas mudanças climáticas globais __ a cobertura de gelo reflete os raios solares e assim evita a absorção de calor pela superfície do oceano __ e o aumento no nível dos mares, colocará os ursos polares no caminho certo para se tornarem animais extintos na natureza.

As banquisas de gelo do Oceano Ártico proporcionam o ambiente ideal para os ursos polares caçarem seu principal alimento: as focas, que usam as placas de gelo flutuantes para dar à luz e amamentar seus filhotes. No entanto, com a perda progressiva da cobertura de gelo nos últimos anos, a disponibilidade de presas diminuiu bastante.

 

ursoszpilman

 

Sem o gelo, não tem foca. E sem foca, os ursos polares ficam com fome por períodos bem maiores do que podem suportar. Explico. Em condições normais, as banquisas de gelo permaneciam por um período de oito a nove meses, quando os ursos polares se alimentavam e engordavam para poder resistir aos três ou quatro meses sem banquisas.

No entanto, nas últimas décadas, esse período vem se estendendo consideravelmente e hoje, em alguns anos, os ursos polares enfrentam cerca de seis meses sem banquisas __ passou a ser muito comum avistar indivíduos raquíticos perambulando por terras secas em busca de alimento.

Tragicamente, esse intervalo continua se expandindo e deve atingir sete ou oito meses nos próximos anos. Será muito difícil para os ursos resistirem tanto tempo sem focas. Além do considerável potencial aumento de ataques aos seres humanos com fins de alimentação, esse processo excruciante resultará também na provável extinção do urso polar na natureza ainda nesse século.

Seja por culpa das ações do homem ou devido aos ciclos naturais que modificam o clima terrestre, as mudanças climáticas estão aí batendo à nossa porta e, infelizmente, pouco podemos fazer para que essa realidade não atinja os ursos polares na natureza. Caso isso realmente ocorra, teremos mais um triste exemplo de espécie Extinta na Natureza que somente não atingiu o último grau de extinção __ Extinta no Planeta, quando não há no planeta mais nenhum espécime representante da espécie __ devido aos exemplares vivos mantidos por zoológicos e aquários do mundo.

Além de tantas outras funções, como educação, pesquisa e conservação, os BONS zoológicos e aquários do mundo passaram, há pelo menos 30 anos, a atuar também como bancos de biodiversidade do planeta. Assim como ocorreu com a ararinha azul, um bom exemplo real foi o mico-leão-dourado.

Extinto na Natureza na década de 1980, o mico-leão-dourado só não foi Extinto no Planeta porque havia diversos exemplares mantidos em zoológicos espalhados pelo mundo. Através de um excelente trabalho de reprodução em cativeiro, realizado por zoológicos fora do Brasil, foi possível regressar e repovoar populações de mico-leão-dourado na Mata Atlântica brasileira, mais especificamente na Reserva Biológica de Poço das Antas (RJ), onde hoje vivem bandos livres nas matas.

Quem sabe daqui a algumas décadas o clima volte a ser como era antes, com a camada congelada na superfície do Oceano Ártico restabelecida em seu período original, e os exemplares de ursos polares mantidos em cativeiro em zoológicos e aquários possam ser reintroduzidos na natureza?

 

Sobre Marcelo Szpilman

Marcelo Szpilman, biólogo marinho, é autor de oito livros publicados, sendo cinco nas áreas de peixes, tubarões e outros seres marinhos. É o idealizador, fundador e presidente de honra do AquaRio e diretor-presidente do Instituto de Conservação Marinha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Talvez você também curta: