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Crueldade contra tubarão no Ceará

Nos dias de hoje ainda cabem atitudes insanas e cruéis como essa?

Ao assistir aos vídeos de um tubarão cabeça-chata, após capturado, agonizando na areia da praia de Balbino (CE) e sendo maltratado com um pedaço de madeira enfiado em sua boca para, posteriormente, ser arrastado por um bugre como um “bandido a ser linchado” __ postados pela ativista ambiental Luisa Mell e pela matéria do G1, no último domingo, dia 14 de março de 2021 (veja links abaixo) __, fiquei, mais uma vez, estarrecido com a ignorância e a insensatez com que algumas pessoas ainda insistem em pautar suas ações.

 

 

Tratar qualquer animal com crueldade e falta de respeito, ainda que o mesmo vá servir de alimento, é uma prática hedionda. Não há mais espaço para se admitir que cidadãos (ou pescadores) perpetrem condutas insanas e criminosas.

Tratar os injustiçados tubarões como “inimigos públicos nº 1” é uma atitude imbecil que deve ser combatida por todos. Exibir ao público e à imprensa os corpos dos tubarões mortos, mesmo sendo os “temidos” cabeças-chatas (espécie responsável pelos poucos ataques que eventualmente ocorrem em Recife), parece uma tentativa de obter o aval da população local para a matança dos “comedores de homens” e disfarça um lado ganancioso dos pescadores locais: a venda da carne e, principalmente, das barbatanas desses tubarões.

Infelizmente, a fobia de tubarões continua contribuindo para que a sociedade não se preocupe com a matança cruel dos tubarões. Ou pior, forma uma torcida coletiva de fóbicos que acreditam que a solução passa por “limpar as águas infestadas por essas feras”. Atualmente, mais de 100 milhões de tubarões são capturados e mortos a cada ano em todos os mares, grande parte para obtenção das barbatanas de tubarão. Isso representa uma monumental ameaça à sobrevivência dos tubarões e está levando muitas populações ao declínio vertiginoso. Nesse ritmo de consumo insustentável, algumas espécies serão extintas nos próximos anos. E sem esses guardiões dos mares, teremos um ambiente marinho doente, frágil e com desequilíbrios ambientais imprevisíveis.

Achar que exterminando os tubarões os ataques serão interrompidos é um pensamento lógico, mas completamente disparatado e antiecológico. É tão óbvio e absurdo quanto dizer que eliminando os leões na África cessarão os ataques desses animais. E é antiecológico porque os tubarões exercem um papel crucial na manutenção da saúde e do equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Ao acreditar que a solução para dar segurança nas praias passa por “limpar as águas infestadas por essas feras”, algumas pessoas contribuem para fortalecer a distorcida imagem do tubarão como um animal perverso e sanguinário e para estimular a fobia coletiva.

 

 

Sobre Marcelo Szpilman

Marcelo Szpilman, biólogo marinho, é autor de oito livros publicados, sendo cinco nas áreas de peixes, tubarões e outros seres marinhos. É o idealizador, fundador e presidente de honra do AquaRio e diretor-presidente do Instituto de Conservação Marinha.

 

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