Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Como lobos mudam rios

O título enigmático acima é um eficiente meio de atrair a sua atenção para o tema de que trata esse artigo; a reintrodução de animais extintos em seu ecossistema original, que hoje denominamos refaunação.

Na verdade, ele é o título de um pequeno e extraordinário vídeo produzido pela Sustainable Man que aborda uma das grandes descobertas da biologia dos últimos 50 anos: a Cascata Trófica __ uma bela expressão para o processo que tem início no topo da cadeia alimentar e se propaga até sua base.

Caçados impiedosamente por suas peles e má reputação, os lobos foram extintos no Parque Yellowstone, nos Estados Unidos, e ficaram ausentes por 70 anos. Sem os lobos, as populações de veados, cervos, alces e gamos cresceram sem controle e houve significativa redução da vegetação dos campos e vales que, por sua vez, impactou sobremaneira os rios da região.

O filme aborda o exemplo da refaunação dos lobos no Parque Yellowstone, em 1995, e o quanto esse evento influenciou a vida e o comportamento das outras espécies da cadeia trófica e reconstituiu ecossistemas e nichos ecológicos que influenciaram, por sua vez, a vida de outras espécies de níveis tróficos mais baixos até a regeneração da vegetação dos campos e vales (base da cadeia).

Então, surpreendentemente, constatou-se que os rios mudaram em resposta à volta dos lobos e passaram ter maior fluidez e estabilidade em seu curso.

Esse evento extraordinário nos dá a exata dimensão da importância dos animais que estão no topo de sua cadeia alimentar, como os lobos, tigres, leões, onças e tubarões, e nos faz refletir sobre o fato, inquestionável, de que todos os seres de um ecossistema estão conectados e podem manter seu equilíbrio na Natureza quando o homem decide ajudar (ou não atrapalhar).

Um bom exemplo no Brasil de refaunaçao vem da recente ação de reintrodução de cotias (Dasyprocta leporina) no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. O desmatamento da área e posterior reflorestamento (entre 1861 e 1874) extinguiram boa parte da fauna original do local, incluindo as cotias que têm importante papel na dispersão de sementes.

O Projeto Refauna, uma parceria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) com o BioParque (antigo RioZoo, hoje privatizado e gerido pelo Grupo Cataratas) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), tem liberado dezenas de cotias desde 2010 com grande sucesso nas interações ecológicas com a fauna e a flora da região. Na última soltura, em 2018, mais catorze roedores adultos e saudáveis foram reintroduzidos.

Uma bela e importante ação do homem que, assim, devolve à Natureza seu equilíbrio perdido por ação do próprio homem.

Recomendo que você assista ao vídeo dos lobos acessando o link abaixo:

Sobre Marcelo Szpilman

Marcelo Szpilman é autor de oito livros publicados, sendo cinco nas áreas de peixes, tubarões e outros seres marinhos. É o idealizador, fundador e presidente de honra do AquaRio e diretor-presidente do Instituto de Conservação Marinha.

One Response

  1. Excelente, Szpilman!!!👏🏻👏🏻👏🏻Sou seu leitor assíduo e gosto de retransmitir isso tudo nessa interação da cascata trófica para ampliar essa consciência ambiental. Parabéns! 🙏🏻

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Talvez você também curta: