Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 1972, durante a Conferência de Estocolmo, considerada um dos marcos globais mais importantes para o debate ambiental contemporâneo. A data surgiu a partir do reconhecimento de que os desafios ambientais não poderiam mais ser tratados de forma isolada, exigindo cooperação internacional, educação, ciência e participação social.
Mais de cinco décadas depois, essa reflexão se torna ainda mais urgente. Em um cenário marcado pelas mudanças climáticas, perda de biodiversidade, poluição e desigualdades socioambientais, falar sobre meio ambiente deixou de ser apenas uma pauta ecológica: trata-se de discutir qualidade de vida, justiça social, saúde pública e o futuro coletivo.
Nesse contexto, a educação ambiental ocupa um papel estratégico. Informar, sensibilizar e criar oportunidades de conexão entre pessoas e natureza são etapas fundamentais para transformar conhecimento em ação. Porém, existe um ponto importante que muitas vezes é negligenciado: conscientização, sozinha, não garante mudança de comportamento. Experiências significativas, vínculos emocionais e senso de pertencimento costumam ser fatores muito mais poderosos para gerar engajamento duradouro com a conservação.
É justamente nessa perspectiva que os parques do Grupo Cataratas vêm fortalecendo uma atuação integrada entre seus times de educação para conservação.
O AquaRio, o BioParque do Rio e o AquaFoz compartilham o compromisso de aproximar o público da biodiversidade por meio de experiências educativas que unem ciência, cultura, sensibilização e participação ativa.
Embora atuem em contextos diferentes — entre ambientes marinhos, terrestres e de água doce — os três parques enfrentam um desafio comum: traduzir temas ambientais complexos em experiências acessíveis, relevantes e capazes de despertar conexões genuínas com a natureza.
Essa integração entre equipes amplia possibilidades pedagógicas, fortalece trocas de conhecimento e permite a construção de projetos colaborativos que dialogam com diferentes territórios, públicos e realidades socioambientais do país. Mais do que replicar atividades, a proposta é construir uma visão compartilhada de educação para conservação, reconhecendo que os desafios ambientais são interdependentes e exigem respostas coletivas.
Ao longo deste mês, os parques apresentarão ações especiais voltadas à sensibilização ambiental, ao estímulo da cultura oceânica, à valorização da biodiversidade brasileira e à reflexão sobre nosso papel na construção de futuros mais sustentáveis.
Entre essas iniciativas, destaca-se o projeto integrado Caminhos da Natureza, que reforça a importância da conexão entre educação, conservação e pertencimento como ferramentas para inspirar transformação social.
No AquaRio, a programação educativa “Vozes do Litoral: Impactos Ambientais nas Regiões Costeiras” irá promover reflexões sobre biodiversidade marinha, justiça climática e os impactos das ações humanas sobre ecossistemas costeiros e comunidades tradicionais. Ao longo do circuito educativo, os visitantes poderão participar de atividades interativas sobre tartarugas marinhas, pesca artesanal e industrial, conservação de recifes de coral, desmistificação dos tubarões e os efeitos das mudanças climáticas sobre povos originários e populações costeiras. A proposta também busca valorizar saberes ancestrais de comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas, reforçando a relação entre conservação ambiental e proteção cultural.
Já no BioParque do Rio, o projeto “Caminhos da Natureza: Mata Atlântica” irá abordar a importância ecológica, climática e sociocultural de um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta. As atividades educativas irão conectar fauna, flora, mudanças climáticas e modos de vida tradicionais, trazendo discussões sobre desmatamento, urbanização, conservação e pertencimento. Entre as experiências propostas estão exposições educativas, contato com peças biológicas e culturais, produção de mudas de plantas nativas e espaços interativos inspirados em saberes indígenas, caiçaras e quilombolas, incentivando os visitantes a refletirem sobre formas mais sustentáveis de relação com a natureza.
No AquaFoz, as atividades da Semana do Meio Ambiente irão explorar as conexões entre biodiversidade, mudanças climáticas e participação coletiva na conservação ambiental. Por meio de jogos educativos, painéis interativos e dinâmicas colaborativas, os visitantes serão convidados a compreender os impactos climáticos sobre os biomas brasileiros, especialmente a Mata Atlântica e os ecossistemas ligados aos rios Iguaçu e Paraná. Entre as ações propostas estão atividades sobre biodiversidade regional, soluções para problemas ambientais locais e construção coletiva de estratégias de conservação, reforçando a importância da cooperação social diante da crise climática. A programação também contará com espaços participativos onde o público poderá compartilhar ideias e compromissos em prol da proteção ambiental, conectando educação, pertencimento e ação coletiva.
As ações desenvolvidas pelos parques reforçam uma compreensão cada vez mais necessária: os desafios ambientais não podem ser separados das questões sociais, culturais e climáticas. Conservar a biodiversidade também significa proteger territórios, memórias, saberes e formas de vida historicamente conectadas à natureza.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o convite que permanece é também um desafio: compreender que conservar a natureza não significa proteger algo distante de nós, mas reconhecer que fazemos parte dela — e que nossas escolhas individuais e coletivas impactam diretamente os caminhos possíveis para o futuro.