Dia das Espécies Ameaçadas

O Dia das Espécies Ameaçadas é comemorado no dia 17 de Maio em todo o mundo, no entanto, essa não deve ser apenas uma data memorada, mas sim um chamado para preservação das espécies ameaçadas (GUATA, 2023).
A Educação Ambiental têm a intenção de desenvolver pensamento crítico e ativo em relação a problemas ambientais existentes no planeta (CHAMUTOTA, 2018). Portanto, essa é mais uma das datas instituídas para conscientizar a todos sobre a fragilidade da biodiversidade, celebrando esforços de conservação e destacando o caminho que ainda precisamos percorrer para proteger o país biodiverso em que vivemos.
O movimento para conter a perda de espécies ganhou força na Eco-92, onde o Brasil assinou a Convenção da Diversidade Biológica, um acordo internacional focado em reduzir os impactos humanos sobre a fauna e a flora. Esse acordo foi um entendimento sobre a necessidade de conter impactos e ameaças, diminuindo o declínio populacional (COSTA, 2020). Assim, a data nos convida a reduzir nossa pegada no planeta para garantir um futuro sustentável.
Por não se tratar de uma data exclusiva de um só local, todos países e instituições governamentais envolvidas com questões ambientais a utilizam para realizar atividades, troca de experiências e ideais para a conservação dos ecossistemas.
Os ecossistemas se definem por interações de seres vivos e não vivos com o ambiente e entre si. O Brasil é o país mais biodiverso do mundo, dado fundamentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, 2019), tendo mais de 124.000 espécies de fauna, cerca de 20% de toda a biodiversidade do planeta (WWF 2026). Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, essa diversidade é devido a diferentes zonas climáticas, as quais favorecem a formação dos diferentes biomas.
Apesar dessa diversidade, as ameaças são constantes. Na Mata Atlântica (3º maior bioma do Brasil), há uma grande devastação, sendo um patrimônio que necessita de mais ações que visem a conservação (CARDOSO, 2016). Animais como a Onça-pintada (Panthera onca), presente em mais de um bioma, exercem funções vitais para o equilíbrio do ecossistema regulando populações, indicando a qualidade do ambiente e também a função de espécie guarda-chuva (ao protegê-la, você automaticamente protege outras espécies que vivem na mesma área). Além dessa, no mesmo bioma podemos citar o Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), também conhecido como “jardineiro” da Mata Atlântica. Eles possuem dieta rica em frutos e o diferencial de quebrar a germinação das sementes em seu
trato digestivo, portanto, ao se locomover por grandes áreas, acabam atuando como dispersores de sementes.
A importância da conservação, porém, vai muito além dos ecossistemas brasileiros. As florestas de bambu da China abrigam o Panda Gigante (Ailuropoda melanoleuca), embaixador da preservação local. Fica a seu encargo a garantia que vastas áreas de florestas montanhosas sejam protegidas para resguardar uma biodiversidade não tão conhecida.
Até mesmo os lugares mais remotos, como desertos e montanhas, abrigam animais que são verdadeiros mestres da sobrevivência. Espécies como o camelo e a raposa-do-deserto são exemplos clássicos dessa resistência, e protegê-las é essencial para manter o equilíbrio dessas regiões áridas. Nas montanhas, animais como as cabras selvagens cuidam da vegetação e servem de alimento para grandes predadores, mantendo a vida em movimento nas altitudes. Essa conexão chega também aos oceanos, onde a água une todos os seres vivos. Nos recifes de corais, os tubarões funcionam como os ‘guardiões’ do mar, ajudando a manter o equilíbrio entre as populações de peixes. Já os corais, como o nosso coral-cérebro-baiano, são os pilares de todo o ecossistema marinho: eles protegem a nossa costa e servem como berçários naturais, oferecendo abrigo e proteção para a vida crescer.
Diante desse cenário, o Brasil tem reafirmado uma série de compromissos internacionais para trabalhar, prioritariamente, os pilares da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB): a conservação da diversidade biológica e o uso sustentável da biodiversidade. Nesse contexto, evidencia-se a importância estratégica dos aquários e zoológicos. Muito além de espaços de lazer e entretenimento, essas instituições são pilares fundamentais na conservação ex-situ e na pesquisa científica de espécies ameaçadas.
Ao unirem pesquisa científica e educação ambiental, zoológicos e aquários tornam-se ferramentas capazes de ajudar a reverter a atual maré de destruição que ameaça a integridade do planeta. Com as crescentes pressões ambientais globais, esse papel torna-se mais vital do que nunca. Como bem destacam Barongi et al. (2015), essas instituições estão habilmente posicionadas para apoiar iniciativas globais e servir como portais essenciais, através dos quais a sociedade pode se envolver na proteção ativa das populações selvagens.
Sendo assim, o Dia das Espécies Ameaçadas reforça a integridade dos ecossistemas como a base da vida no planeta. Compreendermos as funções de cada organismo se torna essencial para garantirmos os serviços ambientais dos quais dependemos, articulando ciência e engajamento social como um caminho efetivo para a conservação global. Com esse propósito, o Grupo Cataratas desenvolve ações contínuas multissetoriais com os embaixadores, disseminando a temática em experiências diárias e eventos pontuais.
Nesse sentido, as equipes de Educação para Conservação do Grupo Cataratas, prepararam uma atividade exclusiva para esse dia em seus respectivos circuitos. Além de posts com conteúdos temáticos publicados em nossas redes sociais de cada parque, divulgando o tema e o aproximando do público. Mais do que uma data simbólica, o Dia das Espécies Ameaçadas nos lembra que conservar a biodiversidade é uma responsabilidade compartilhada entre ciência, instituições e sociedade.

Referências

BARONGI, Rick et al. Committing to conservation. Gland: WAZA Executive Office, 69 pp, 2015.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Biodiversidade Brasileira. Brasília, DF, 2024. Disponível em:<https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas> . Acesso em: 12 mai. 2026.

CBD.Status and trends of biodiversity, including benefits from biodiversity and ecosystems service. Disponível em: <https://www.cbd.int/countries/profile?country=br>. Acesso em: 12 mai. 2026.

COSTA, Renan; DE MELLO, Rodrigo. Um Panorama Sobre a Biologia da Conservação e as Ameaças à Biodiversidade Brasileira. SAPIENS-Revista de divulgação Científica, v. 2, n. 2, p. 50-69, 2020.

DA CUNHA, Alecsandra Santos; LEITE, Eugênio Batista. Percepção ambiental: implicações para a educação ambiental. Sinapse Ambiental,[S. l: sn], p. 66-79, 2009.

GUATAFOZ.17 de maio é o Dia das Espécies Ameaçadas. 2023. Disponível em: <https://guatafoz.com.br/17-de-maio-e-o-dia-das-especies-ameacadas/>. Acesso em: 12 mai. 2026.

NEWS.PNUMA: Brasil possui entre 15% e 20% da diversidade biológica mundial. Disponível em: <https://news.un.org/pt/story/2019/03/1662482>. Acesso em: 12 mai. 2026.

WWF BRASIL. Relatório de Biodiversidade Global 2026. Brasília, DF, 2026. Disponível em:<https://www.wwf.org.br/nosso_trabalho/biodiversidade/>. Acesso em: 12 mai. 2026.

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